segunda-feira, 10 de julho de 2017

Brasil de volta ao mapa da fome da ONU

Antes de ler meu texto, leia esta matéria.

Passei minha juventude nos grupos de jovens, no auge do governo tucano neoliberal de FHC, tempo em que a gente tinha de fazer campanhas de arrecadação de alimentos para as famílias famintas.

Aquilo me dava tristeza, porque era paliativo, fortuito e ineficiente. Dava comida hoje e amanhã a família precisava de novo. Eram necessárias políticas públicas de combate à miséria e de geração de empregos.

Com a eleição de Lula em 2002, vieram os programas sociais, mas sobretudo as políticas de valorização constante do salário mínimo e de pleno emprego.

Tivemos a melhor época da História do Brasil em termos sociais. Milhões foram resgatados da miséria e ingressaram no mercado de trabalho. O Brasil saiu do mapa da fome. Pena que há pessoas e grupos sociais que não enxergam isso.

Nossos problemas sociais continuaram, mas a fome não era mais um deles.

Com o golpe de Estado que depôs Dilma em 2016, as políticas públicas passaram a ser desarrumadas. A crise econômica provocada inicialmente pela sabotagem do empresariado e, posteriormente, pelo desmonte neoliberal do país por parte do governo golpista liquidou os empregos e os salários.

E dá-lhe medidas para retirar ainda mais os direitos dos trabalhadores. As reformas trabalhista e previdenciária estão aí para serem votadas por um Congresso que representa apenas os interesses da elite, em que pese o governo estar moribundo. A pauta da implosão social está vivíssima e descolada do processo de crise política.

O resultado é que a falta do que comer em muitas famílias está de volta. Segundo a ONU, o Brasil voltou ao Mapa da Fome. "Três anos depois de o Brasil sair do mapa mundial da fome da ONU — o que significa ter menos de 5% da população sem se alimentar o suficiente —, o velho fantasma volta a assombrar famílias", diz a reportagem de Daiane Costa. "O alerta, endossado por especialistas ouvidos pelo GLOBO, é de relatório produzido por um grupo de mais de 40 entidades da sociedade civil, que monitora o cumprimento de um plano de ação com objetivos de desenvolvimento sustentável acordado entre os Estados-membros da ONU, a chamada Agenda 2030. O documento será entregue às Nações Unidas na semana que vem, durante a reunião do Conselho Econômico e Social, em Nova York."

Aquela turma de classe média, apoiadora do golpe, que nunca se conformou com as políticas públicas e programas sociais dos governos petistas, agora pode alegremente realizar suas campanhas de arrecadação de comida para dar aos pobres famintos, descarregos de consciência, principalmente no Natal, visto que para essa gente a solidariedade só aflora fim do ano, quando muito.

Nossos grupos de jovens, pelo menos, tinham formação política.

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